Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Entre conversas com pessoas do meio, lançamentos e apresentações de best-sellers internacionais, o que percebi foi que, apesar do mercado literário/editorial brasileiro estar em processo de amadurecimento, FALA SÉRIO!, ainda falta muito para chegarmos ao nível de grandes mercados como o dos Estados Unidos ou da Europa.

Eu sei que 2015 foi um ano ruim e que este de 2016 está seguindo o mesmo caminho e que isso terminou atrapalhando uma década em que houve um crescimento no mercado editorial, com diversas editoras pequenas e médias apostando em autores nacionais. Mesmo assim, quando vejo não um, mas dois jovens que iniciaram a “carreira” escrevendo no Wattpad, um deles com um fanfic (para quem não conhece, fanfiction ou fanfic é uma narrativa ficcional, escrita em blogs, sites e em outras plataformas virtual, baseada em personagens e enredos provenientes de filmes, séries, quadrinhos, videogames, etc, sem que haja a intenção obter lucro ou de ferir os direitos autorais da obra) e já em seus primeiros livros se tornaram best-sellers internacionais; ou uma grande editora apresentando uma proposta de publicação de autoras mulheres (FALA SÉRIO! Uma iniciativa excelente!), mas nela não há praticamente nenhuma autora nacional, vejo que realmente ainda falta muito para o mercado chegar ao nível, ou a importância de outros mercados.

E FALA SÉRIO! Nem me venha falar de youtubers, porque estou falando de literatura, não de modismos que, como está acontecendo com os livros de colorir (por favor, até entendo que eles podem ter salvado as contas de algumas editoras, assim como possibilitado publicações de livros de ficção, mas chamar aquilo de livro é um exagero: para mim um livro é algo que se lê), está fadado a desaparecer. O único ponto positivo deste modismo em questão é que diversos ghost writers conseguiram trabalho para colocar no papel o que esses youtubers queriam falar e não conseguiam.

Assim, o que falta no mercado é a iniciativa, o empreendedorismo de pegar um escritor desconhecido e trabalhá-lo de modo que ele se torne, por sua capacidade literária e ajuda da editora na divulgação, um best-seller internacional.

Porque, repetindo o que já disse inúmeras vezes aqui mesmo no blog, em palestras e cursos, pegar um best-seller que está virando filme ou série de TV é simples. Para isso basta ter dinheiro, porque nem a divulgação e o marketing eles precisam fazer.

Como eu mesmo já disse no blog do Aliteração: ainda bem que as editoras lá fora não pensam assim! FALA SÉRIO! Já pensou o que seria das nacionais se seus editores tivessem de trabalhar de verdade para vender seus livros?!

Inclusive, aqui cabe também uma crítica o governo que, apesar de possuir uma bolsa de tradução cujo objetivo seria divulgar nossa cultura lá fora, apesar do “ano do Brasil” haver acontecido há alguns anos nas feiras internacionais, os atrasos e falta de pagamentos da bolsa terminaram queimando mais o nome do país do que ajudando na divulgação do mesmo, e fazendo com que o Brasil continue com o estereótipo de País do Samba e do Futebol – que apesar do ouro na Olimpíada, já se perdeu com a derrota de 7 a 1 contra a Alemanha na última Copa do Mundo.

Como fica então o escritor iniciante então?

Como ele sempre esteve nesta última década. Buscando começar uma carreira em coletâneas, prêmios e concursos, ou publicando seus originais (e FALA SÉRIO!, aqui o uso do plural está correto, pois para conseguir leitores fieis o escritor deve continuar publicando sempre) nas editoras pequenas, no wattpad ou de maneira independente como e-book até que alguma grande lhe dê alguma chance.

E mesmo assim este é só o começo de uma nova etapa, em que o escritor deverá ajudar a editora a fazer a divulgação e o marketing de seu(s) livro(s) de modo que o público venha a conhecê-lo.

Sei que é um caminho tortuoso, mas infelizmente para o escritor brasileiro, fora raras exceções, é o único conhecido, a menos que tente escrever em inglês e fazer o caminho dos autores internacionais.