Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS LITERÁRIOS

Na realidade o nome original deste artigo era para ser SEGUINDO AS TENDENCIAS DO MERCADO, mas preferi seguir com esse nome, assim como com uma linha de texto mais explicativa. Assim, vamos lá:

Quando comecei a escrever profissionalmente há mais uma década, 2004 para ser mais exato, devido a falta de um leitor para e-books, ou ao menos de um com preço acessível, a primeira tentativa de lançamento de e-books havia fracassado redondamente.

E eu digo isso porque creio que devemos usar exemplos de casos que deram certo (apesar de ter de considerá-los mais como exceções do que regras) e contextualizar o momento de mercado de modo a entendermos o que aconteceu e assim usar essa experiência de modo mais efetivo.

De qualquer modo, ao mesmo tempo que essa primeira tentativa de criação de e-books fracassou, os processos de publicação digital já começavam a melhorar, possibilitando tiragens menores a preços mais baixos. Com isso, pequenas editoras tradicionais e por demanda começaram a surgir no mercado e com elas as coletâneas temáticas.

Isso, pois naquela época uma maneira simples e rápida de conseguir publicar era escrever um conto ou noveleta e publicá-la numa coletânea temática com outros escritores, usando a coletividade para chamar atenção, além de conseguir contatos e com a publicação um currículo como escritor.

O problema era que essas coletâneas tinham pouca penetração no mercado. Na verdade quando montei minha editora uma das coisas que tentamos desde o início – e até que conseguimos – foi sair do chamado fandom (meio de fãs e escritores de um dado gênero literário) e começar a ganhar nome fora desta bolha.

Mesmo assim pense comigo: Se uma editora pequena publica uma coletânea de 500, 300, às vezes até 100 exemplares, qual será a penetração dela nas grandes livrarias? FALA SÉRIO! Pela baixa quantidade de livros e falta de um ou mais nomes fortes que chamem atenção do público (fora de sua bolha de conhecidos) ela será muito pouca!

Assim como é a publicação por demanda, em especial de autores desconhecidos. Houve casos que deram certo?
Evidente que sim! Mas se formos analisar o momento editorial em que eles estouraram, em que era mais simples não só colocar os livros nas livrarias, mas também em espaços de destaque nas mesmas, podemos até comentar a respeito deles, mas não usá-los como um guia para nossas ações. Até porque não só estes foram mais exceções do que regras.

Mais recentemente, com o surgimento de ferramentas de leitura digitais mais acessíveis, houve um novo ‘BOOM’ dos e-books, tanto que um tempo atrás se chegou a considerar até mesmo uma substituição do livro físico pelo e-book. Mas FALA SÉRIO! Como aconteceu no caso do rádio para com o jornal impresso e da TV para o rádio e jornal impresso, as novas mídias não destruíram as antigas, que mesmo décadas depois ainda continuam existindo, o mesmo acontecerá com o livro e o e-book.

O ponto, entretanto, é que como eu já comentei inúmeras vezes, com o surgimento das redes sociais, lançar, fazer a divulgação e vender um e-book se tornou muito mais simples do que fazer isso com um livro físico. No Brasil, entretanto, isso ainda é complicado, pois ainda não temos nem a tendência de ler, nem a abundancia de países como os EUA para ter esses leitores modernos, mesmo assim, especialmente quando se fala de autopublicação, mesmo que a chance de se conseguir sucesso com o e-book seja pequena, ele tem um custo de produção muito menor do que com o livro físico, especialmente com a chegada da Amazon e o lançamento do KDP, que facilita o escritor de lançar de modo independente. E se você conseguir uma venda considerável de seu e-book (o que é complicado, mas não impossível), que venhamos e convenhamos tem uma penetração muito mais simples do que o livro físico, em especial o lançado independente, isso pode levar a uma grande editora se interessar por seu livro.

Na realidade, mesmo redes sociais literárias, como o Wattpad por exemplo, já são considerados um celeiro onde as editoras buscam novos talentos. Se você duvida, dê uma olhada neste artigo da BBC.

E saiba que mesmo grandes editoras nacionais, como a Planeta, por exemplo, recentemente lançaram selos cujo objetivo é achar talentos no meio digital. Ou seja, se a ideia é conseguir leitores e se tornar conhecido, além de fazer um currículo literário, e-books, e-contos e mesmo redes sociais literárias podem se tornar uma porta de entrada muito mais simples do que publicar seu livro por conta própria, ou pagar para entrar numa coletânea.

Eu sei que é complicado, mas aqui no Aliteração mostramos o mercado editorial sem meias verdades!

AS IDEIAS E OPINIÕES EXPOSTAS NOS ARTIGOS, TEXTOS E COMENTÁRIOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS AUTORES, NÃO REFLETINDO, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO OU POSIÇÃO DO LIVRÓLOGOS