Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Há algum tempo eu assisti a um vídeo que estava fazendo uma promoção para escritores e uma coisa chamou minha atenção. Nele se estava abrindo um tipo de concurso para escolha de uma obra para ser trabalhada pelos profissionais de um grupo sem custo algum.

Qual o problema? FALA SÉRIO! A primeira prova pela qual a obra deveria passar era de popularidade e somente os autores mais votados seguiriam para a próxima fase.

Eu já vi, e na verdade a colocação me fez me lembrar de um concurso de fotografia que um tempo me pediram para acessar e votar. Normal, não é?

Mas o quão honesto é você votar na obra de alguém, seja ela uma fotografia ou um original literário, antes de saber o que é ou só porque a pessoa é sua amiga?

E se você está se perguntando se eu entrei no site do concurso de fotografias e votei na do meu amigo. A resposta é sim, eu entrei, mas não, não votei na dele! Analisei todas as que estavam lá e votei na que achei melhor.

A questão, inclusive, é pior, pois no caso do concurso em questão as regras diziam que o “voto popular” teria um dado peso, mas que as fotografias seriam analisadas todas por profissionais. Ao contrário do vídeo, site, promoção ou concurso em questão, em que só seguiria em frente os originais que fossem mais populares…

FALA SÉRIO! Antes de eles serem analisados pela comissão do site ou pelo público que votou!

Eu sei que estamos passando por uma fase em que antes de publicar as editoras estão buscando uma certeza de vendas, normalmente determinada pela popularidade da obra ou de seu escritor. Tanto já há algum tempo que temos no exterior, e mais recentemente também aqui no Brasil, empresas buscando novos talentos e obras em ferramentas de publicação independentes como a Amazon ou o Wattpad. Agora, existe uma diferença atroz entre uma editora buscar o livro de um escritor independente em plataformas digitais como a Amazon e a o Wattpad, em que se pode verificar a leitura das obras, os comentários feitos nas mesmas e em que os votos significam que o leitor em questão gostou da obra, de simplesmente ‘ver a popularidade do autor’ antes mesmo de verificar a qualidade de seu original.

Ou FALA SÉRIO! Será que eu devo voltar a comentar a respeito das curtidas e de como atualmente as mesmas podem ser compradas? Ou de elementos básicos de marketing que determinam que somente 10% dos desconhecidos que você convidar para um evento e que confirmem efetivamente aparecerão no mesmo, e que nem mesmo todos estes efetivamente compraram a obra em questão? É o que eu chamo de “a famosa regra dos 10%”, já analisada por Alvin Toffler quando eu estava na faculdade em meados da década de ’90.

Antes que você pergunte, não! Eu não vou comentar a respeito de youtubers, pois o assunto aqui é literatura! O artigo é feito por, para e pensando em escritores, coisa que a maioria dos youtubers não é, pois se valem de ghostwriters para produzirem seus… livros.

Agora, há algum tempo eu conversei com alguns escritores que estavam reclamando que suas editoras estavam pedindo para que eles conseguissem uma pré-venda mínima antes do lançamento. FALA SÉRIO! Eu posso não gostar, mas até entendo quando a editora coloca a obra para pré-venda e pede ao autor que fale com amigos e conhecidos de modo a garantir uma venda mínima no lançamento.

Com a crise e os problemas que ela gerou estes estão cada vez mais econômicos e com uma presença de cada vez menos pessoas e a editora quer garantir o retorno do livro em que está apostando, mas ao menos houve uma leitura crítica do original antes de ser dado o OK para o escritor, não exigindo que o mesmo entre num “concurso de popularidade” antes mesmo de ter sua obra analisada.

Depois as pessoas não entendem porque este mercado está como está, e cada vez mais gente critique as obras nacionais!