Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

O post do Publishnews do final de 2016, A CABEÇA DO EDITOR DO SÉCULO 21: CADÊ O GLAMOUR?,  apresentado em meu artigo da semana passada, UM POUCO A RESPEITO DO TRABALHO DO EDITOR, foi tão extremista e contundente em sua apresentação, que o próprio apresentava uma resposta, A CABEÇA DO EDITOR DO SÉCULO 21: CADÊ A CABEÇA?, que você pode ler AQUI.

Assim, dando continuidade ao artigo comentando a respeito do post, esta semana eu comentarei a resposta dada ao mesmo. antes de qualquer coisa, é meio exagerado precisar de um coletivo de editores para contrapor as colocações de um. Além disso, precisamos tomar cuidado, pois do mesmo modo que, como eu provei em meu artigo anterior, ele foi extremista, é quase certo que a contraposição deles também será.

Vamos ver…

O texto deles começa com a colocação do diretor editorial da Random House por décadas e cofundador da The New York Review of Books Jason Epstein em seu O Negócio do Livro (Record, 2002). Agora, fora do contexto do livro a frase de pouco serve, a não ser para usá-la para confirmar suas crenças. Uma parte da colocação dele, por exemplo, é “se o dinheiro fosse o principal objetivo, essas pessoas provavelmente teriam de ter escolhido outras carreiras”.

Apesar de totalmente cabível para editoras pequenas, será que a frase serve para grandes? Aquelas que conseguem quantias milionárias com best-sellers? Inclusive quando vendem ao exterior ou para outras mídias? Eu poderia dizer que a mesma é cabível para o escritor, pois mundialmente só uma minoria consegue sobreviver só da escrita, quanto mais lucrar com ela, mas editores?

FALA SÉRIO! Só para colocar em perspectiva, coisa que acho muito interessante, a Random House, editora em que Jason Epstein foi diretor editorial, possui os direitos de autores como Stephen King, George RR Martin e Stieg Larsson, assim como séries como O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, Cinquenta Tons de Cinza ou Maze Runner. Preciso dizer mais?

Outra colocação totalmente sem sentido (o texto na verdade parece mais parte de livro autoajuda quântica) é que “O futuro pertence ao que acreditarmos. Pode ser o Mercado, pode ser Deus, pode ser as Crianças, pode ser a Inovação, pode ser a Experimentação, pode ser o Resgate das Boas Práticas, pode ser o oposto do que Charles Chaplin identificou longinquamente em seu Tempos Modernos (1936), enfim — o que quisermos acreditar, será.

Fala se não parece um discurso populista de quem está com dinheiro no bolso e mesmo assim quer que acreditem que é pobre? Poxa vida! Deveríamos falar isso para os inúmeros fugitivos da Guerra da Síria, ou ainda, para aqueles que morreram tentando atravessar o Mediterrâneo! Eles deveriam ter acreditado mais…

FALA SÉRIO!

Evidente que algo que é colocado se compara ao que eu mesmo disse sobre a função do editor, de coordenar os demais profissionais abaixo dele, do escritor ao ilustrador, passando pelo revisor, pelo preparador de texto, pelo tradutor. Mas eles também têm de considerar elementos de mercado.

FALA SÉRIO! Parece aquela contraposição da cultura hippie em relação ao consumismo. Inclusive, onde será que estão esses hippies agora?

Finalmente, em relação à colocação de que o editor não pode ser um mero seguidor de modismos, só fazendo reflexões de curto prazo, pautadas nos resultados imediatos. Eu gostaria de lembrar diversas editoras, provavelmente até que este coletivo de editores esteja ou tenha trabalhado, deve ter entrado na onda dos livros para colorir. Ou quem sabe dos livros de youtubers que atualmente pipocam nas livrarias como vírus.

FALA SÉRIO! Onde está o pensamento em longo prazo? A ideia de carreira, de criar algo que dure? De pegar uma obra ou autor do zero e transformá-lo num sucesso com inúmeros livros? É, acho que falar, ou reclamar (como era o termo mesmo? Mimimi?) é mais fácil do que fazer!

Ou será que o texto de contraposição foi fruto de profissionais que se sentiram ofendidos exatamente por se verem no retrato apresentado no outro artigo? Sendo, portanto, sua resposta só uma desculpa deles para eles mesmos? Porque segundo diz a psicologia, a ofensa só funciona quando o ego da pessoa sente uma ligação com o que está sendo dito.

Concluindo, evidente que o livro é um produto e que deve ser considerado para um determinado público, especialmente para que a empresa, no caso a editora cresça. Mesmo assim, para tal o editor deve considerá-lo além de um simples número para isso. Em especial quando falamos da obra que é um livro. Em suma, como em praticamente todo aspecto da vida, todo extremo é ou está essencialmente errado, sendo o caminho do meio sempre o mais correto. FALA SÉRIO! Nem para o lado do capitalista selvagem, nem para o idealista que se acha incompreendido por estar fazendo (ou vendendo) arte.