Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS

Já há algum tempo venho falando a respeito, seja aqui no blog, nas palestras e cursos que ministro, seções de coaching e mesmo contextualizando relatórios de leitura crítica, mas parece que uma vez mais o assunto, como notícia ruim, volta sempre à tona. Foi numa conversa genérica cujo tema era exatamente esse que deu para ver, nas entrelinhas, o um dos maiores problemas da literatura nacional, em especial a de gênero, é exatamente o preconceito.

Quantas vezes já não ouvi, ao comentar a respeito, que este ou aquele gênero literário nacional não presta? Que o escritor brasileiro não sabe escrever? Que a literatura fantástica daqui é só uma cópia mal feita do que já existe ou está surgindo lá fora? Que o gênero policial não funciona no Brasil? Como já coloquei anteriormente, não adianta dizer que o livro importado é melhor do que o nacional, quando só o que é excelente, ou Best-seller é efetivamente traduzido. FALA SÉRIO! Existe muita coisa medíocre sendo publicada em qualquer país do mundo!

O que acontece é que lá fora existe incentivo! As editoras acreditam nos autores, fazem o marketing do livro para que o leitor conheça o produto, se interesse por ele. Chegando a buscar parcerias com estúdios para adaptação de obras para filmes ou séries… Muitas das quais, inclusive, nem chegam aqui. E se chegam, vão direto para DVD. E as editoras daqui fazem o que? FALA SÉRIO! Lançam o livro e na maioria das vezes nem perdem tempo avisando aos leitores, ou a produtora que traz o filme, que o livro de onde o mesmo foi adaptado foi traduzido. Para que gastar mais dinheiro? Não é verdade? Só porque as vendas poderão aumentar? Quando a editora, como eu já vi acontecer, tem a coragem de afirmar que não aceitará nacionais, pois não consegue nem vender o que traz lá de fora! O que se poderia esperar?

E não é só isso, porque o leitor também tem culpa do cartório. Não somente pela ideia “colonizada” de que o que vem de fora é naturalmente melhor só porque veio de fora, mas também porque é preconceituoso, criticando sem nem ao menos conhecer o que surge no mercado nacional. Mas FALA SÉRIO! Cabe também ao escritor uma parte dessa culpa, pois ao invés de ter ir fundo na pesquisa, em seu próprio desenvolvimento como profissional da escrita, ele deixa seu ego aflorar, achando em sua ignorância que qualquer coisa que coloque no papel é ou está excelente.

Assim, como o ouroboros, a serpente que come a própria cauda, o ciclo eterno não se quebrará nunca. O que fazer para mudar isso? Cabe ao leitor, ao escritor, às editoras verificarem o que estão fazendo de errado e tentar mudar. Porque FALA SÉRIO! De nossa parte eu posso dizer, seja com as leituras críticas, os coachings, a direção literária, estamos ao menos tentando fazer nossa parte.

Espero que você tenha gostado deste que foi nosso último texto de 2015. Aguardem, pois dia 13 de janeiro tem mais!