natal2015

 

Sempre criança

Então, é Natal. É a chance de reencontrar a sua criança interior. Aquela, da qual você se despediu em algum momento da vida, por alguma razão que o obrigou a “crescer”.

Este clima de “bate o sino”, Papai Noel para todo lado, decorações em tons de verde, vermelho e dourado, anjos espalhados neste lugar aqui e acolá, instigam a recuperação de uma época afetiva diferente com sua família.

Só que, em 2015, já vivi este reencontro com minha criança interior duas vezes no cinema. O primeiro reencontro foi através do Divertida Mente, filme da Pixar. Se você ainda não viu, veja. É genial. A história é contada através das reações de Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho, as emoções que comandam a pré-adolescente Riley, que está vivendo uma fase de mudanças e encontra dificuldade para se adaptar à nova realidade. Sabia quase nada do filme quando fui ver. Provavelmente como a maioria dos adultos que estava na sessão acompanhados dos pimpolhos.

O resultado: crianças rindo e adultos chorando – sim, eu inclusive. O motivo: todos se lembraram de coisas, momentos, sentimentos que eram importantes que esqueceram ao ficarem mais velhos. (volta e meia fico imaginando a versão Nojinho da Beta. Embora, por motivos óbvios para mim – a cor e os óculos-, a minha favorita imediata foi a Tristeza). Então vem este filme focado nas reações de uma garota em uma dinâmica familiar. Tocando em temas sérios, de forma profunda e simples, o filme encanta, diverte e emociona. Foi ovacionado como um dos melhores do ano, já foi para o panteão dos melhores da Pixar (sinceramente, não consigo imaginar de onde sai tanta ideia boa porque eles se superam) e deve concorrer como favorito na temporada de prêmios que começa em janeiro.

inside-out1

Menos de um mês depois, lá estava eu de novo no cinema. Para ver uma das histórias que mais gosto transformada em animação. Ao contrário de Divertida Mente, sabia muito mais sobre a versão de O Pequeno Príncipe. Sabia que era francesa, mesclava técnicas diferentes e que criou uma trama à parte além da criação de Antoine de Saint-Exúpery. E neste caso, eu já sabia que a chance de choro era alta. Quase chorei no trailer ao ouvir “Dessine moi un mouton?”.

Confesso que não dei o vexame que eu esperava de chorar todas as vezes que o príncipe aparecia e nem quando surgiu a raposa, muito menos na cena das frases mais célebres. Mas chorei. Acompanhada, novamente, dos pais e mães na choradeira.

peq-principe

Afinal de contas, o livro ganhou fama de “o favorito das misses”, tem gente que usa isso como demérito. Se tivessem lido, saberia como que o livro não precisou ser do tamanho de um tijolo para ter conteúdo. Em suas breves páginas sem enrolação mostra que a importância está naquilo que não se vê e em coisas e pessoas nas quais investimos nossos sentimentos. O livro e o filme reforçam que crescer leva ao esquecimento de muitas coisas que importam. Por isso, ao recuperarmos essa memória e esse sentimento, choramos.

Em um mundo que oprime, deprime por causa de vários seres humanos (?!) se dedicam a acabar com a esperança dos outros. Impõem padrões de beleza inatingíveis, afirmam que determinadas “categorias de indivíduos” sempre são melhores que outros, incentivam que ter coisas é melhor que ser alguém que se importa com tudo e todos ao seu redor.

Então, é Natal. Um momento onde todo mundo resolve ser solidário, amável, preocupado com o mundo, sensível. Em muitos casos, ainda bem, de verdade. Nada mais justo que aproveitar, então, os verdadeiros sentimentos que esta época desperta, a chance de valorizar as pessoas que realmente amamos. Aproveitem as reuniões familiares (pouco importa se é família sanguínea ou encontrada pela vida), busquem os dois filmes – já disponíveis em DVD e Blu-Ray – para quem quiser fazer uma sessão pipoca em casa. Ah, prepare os lencinhos. Não digam que não foram avisados.

Feliz Natal, próspero Ano Novo e que a sua criança interior se mantenha inspirada em 2016!

Bacci!!!